Jovens espanhóis voltam ao campo impulsionados por uma equação cada vez mais difícil nas grandes cidades: salários limitados e moradias fora de alcance. Diante desse cenário, pequenas localidades passaram a ser vistas como alternativa. Nelas, essa escolha tem permitido acesso à casa própria, maior proximidade com a natureza e um cotidiano considerado mais equilibrado por quem decidiu sair dos grandes centros.
Um exemplo concreto está em Corterrangel, aldeia da província de Huelva, onde Ainara e Roger passaram a viver após anos em Sevilha. Cientistas ligados ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), eles explicam que o valor economizado foi suficiente para comprar a casa à vista. Segundo Ainara, o silêncio e a convivência com o ambiente natural tiveram peso na decisão. Ainda assim, o casal mantém o deslocamento diário até o trabalho. Para eles, jovens espanhóis voltam ao campo também por uma escolha consciente de estilo de vida.
Custo da moradia explica por que jovens espanhóis voltam ao campo
Nesse contexto, o interesse de jovens espanhóis em viver no campo cresce em meio a preços imobiliários elevados. De acordo com María Matos, diretora de estudos do portal Fotocasa, os valores atuais já superaram os registrados antes da crise de 2008. Além disso, uma pesquisa da empresa indica que 63% das pessoas que buscam moradia desejam viver em áreas rurais.
Entre jovens de 18 a 24 anos, o índice chega a 70%. No entanto, muitos reconhecem dificuldades para concretizar o plano, sobretudo por limitações profissionais. Mesmo assim, o dado ajuda a entender por que jovens espanhóis voltam ao campo como alternativa para sair do aluguel urbano.
Os números reforçam essa leitura. Em 2024, o salário médio bruto entre jovens na Espanha foi de 1.372,8 euros. Em contraste, um apartamento de 80 m² em Madri custa, em média, 1.789,60 euros por mês. Diante desse descompasso, viver no campo passa a ser uma opção financeiramente mais viável.
Empreender fora das grandes cidades
Além da moradia, jovens espanhóis voltam ao campo motivados por novas possibilidades profissionais. Anaí Meléndez deixou Madri após enfrentar aluguéis elevados e, posteriormente, abriu um restaurante em Nava del Rey, com foco em produtos locais. Segundo ela, os vilarejos oferecem oportunidades, desde que se busque criar o próprio trabalho e construir redes no território.
Nesse mesmo sentido, Anaí relata que outros jovens fizeram o caminho de retorno, seja abrindo pequenos negócios, seja assumindo atividades familiares, como vinhas herdadas, com práticas atualizadas de produção.
Volta ao campo ajudam a renovar vilarejos
Para Diego Curto, da Associação para o Desenvolvimento Integral do Vale de Ambroz (DIVA), a chegada de novas famílias contribui para manter serviços essenciais, como escolas e comércios, em regiões marcadas pelo despovoamento. Além disso, ele afirma que a procura também vem de estrangeiros que já vivem na Espanha e desejam mudar de região.
Nesse cenário, jovens espanhóis voltam ao campo e passam a integrar iniciativas locais voltadas à ocupação de moradias disponíveis e à manutenção da vida comunitária. Como resultado, a presença desses novos moradores abre perspectivas positivas para vilarejos que buscam continuidade e renovação social.
